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Matéria interessante sobre o BMW 135i Coupé

Matéria interessante sobre o BMW 135i Coupé Segue abaixo uma matéria interessantíssima sobre o BMW 135i Coupé. A reprodução desta matéria foi gentilmente autorizada pelo jornalista Gerson Campos, Editor Chefe do site Carro Online www.carroonline.com.br. Confira:

Série 1 no clube dos 5 segundos

O BMW de entrada virou cupê e ganhou motor de 306 cv. Olha no que deu.

Seu dia tem 86 400 segundos. Provavelmente, você gasta 28 800 (oito horas) trabalhando e mais uma parcela dessas recuperando as energias durante o sono. No outro terço dessas 24 horas, como ninguém é de ferro, é bom pensar no lazer. Se esse período de diversão for a bordo de um BMW 135i, temos uma dica: fazer nada menos que 5 433 acelerações de 0 a 100 km/h. Fez as contas? É isso mesmo: este “cupêzinho”, criado sobre a base do carro mais barato da BMW, sai do zero e gela a sua espinha até 100km/h em 5s3.

Mais rápido que o M3 Sedan V8 de 420 cv testado na edição de setembro de 2008 da CARRO. Mais veloz que o 335i Sport colocado na pista com o mesmo motor na edição de agosto deste ano. No mesmo tempo que o Jaguar XKR (que também ostenta um V8 de 420 cv) que o portal Carro Online acelerou em maio de 2009. Tudo num carro menor, mais ágil, econômico e barato (quer dizer, menos caro, já que custa R$ 226 000). Não vale a pena gastar suas horas de lazer com ele?

O 135i, à primeira vista, é um carro difícil de explicar. Não é hatch nem sedã, é menor que os cupês BMW tradicionais, deveria ser um carro barato, mas é caro, vem de uma família que não se vende pelo desempenho, mas vê esportivos pelo retrovisor. Parece um M1, mas, na verdade, tem apenas o kit Motorsport. São muitos poréns. Mas isso não é ruim.
Lançado em 2004, o Série 1 hatch chegou até a versão 130i, que traz motor 3.0 de 6 cilindros em linha e 265 cv — a BMW ainda traz ao Brasil o 118i e o 120i, mas o 130i de 2 portas deixou de vir para dar lugar ao 135i. Em 2007, veio o cupê, que estreou na Série de entrada da BMW o poderoso 3.0 de 6 cilindros biturbo. Embora possa parecer que estamos falando do mesmo bloco apenas com duas turbinas a mais, uma checada mais atenta na ficha técnica revela que eles têm diferenças de construção, como cilindrada, diâ­metro e curso dos pistões. Portanto, não adianta pegar o seu 130i, colocar duas turbinas e achar que criou um 135i.

Motor 3.0 biturbo: aplausos para a joia

O motor deste verdadeiro pocket rocket é especial. Redondo, econômico, forte e prazeroso como poucos. Pode parecer estranho dizer isso de um carro com “apenas” 306 cv, mas o importante aqui é notar como as novas tecnologias foram bem aplicadas neste bloco alemão. A injeção direta de combustível é responsável por pulverizar a gasolina diretamente dentro da câmara de combustão com grande precisão, assegurando uma queima mais eficiente e, consequentemente, maior economia e aproveitamento da explosão.

Os dois pequenos turbos oferecem o que o 135i tem de melhor: a curva de torque. Ou melhor: a “reta de torque”. Os 40,8 kgfm já estão prontos para a ação a 1 300 rpm (quase na marcha lenta!) e seguem no mesmo pique até 5 000 rpm, quando o gráfico começa a mostrar a queda da força. Mesmo assim, a potência sube de forma gradual e excitante até 5 800 rpm. E tudo com um consumo médio de apenas 10,7 km/l. Dá vontade de parar o carro, abrir o capô e aplaudir.

Que me desculpem os donos de Audi e Mercedes, mas a “rasgação de sedã” continua com o câmbio. Quem já dirigiu modelos com dupla embreagem — não é o caso deste Série 1, vamos deixar claro — sabe como a troca de marchas sem interrupção da transmissão é fantástica. Equipado com uma caixa automática convencional de 6 velocidades, o 135i é espertíssimo nas trocas em congestionamentos ou quando você se livra deles e crava o pé direito. Não fosse pela ajuda do câmbio, o cupê não aceleraria tão rápido — mesmo com o excelente motor.

Um pouco de prática e habilidade no 0 a 100 km/h

Para conseguir esses 5s3, aliás, o Série 1 mais invocado requer um pouco de prática e habilidade. Se você segurar o freio e cravar o pé de uma vez, vai conseguir 6s0, como marcou nosso equipamento na primeira tentativa. Caso sua ideia seja partir para a ignorância, pisar no freio, esperar as rodas traseiras começarem a girar e sair queimando tudo (ficou bonito na foto aí em cima, mas não é eficiente), será ainda pior: 6s3. A melhor forma para deixar um dono de Porsche Boxster comendo poeira na saída do pedágio é segurar o freio, acelerar bem pouco, até cerca de 1 500 rpm, esperar a roda traseira esboçar um giro em falso, soltar o freio e descer o pé. Pronto. Foguete lançado, 5s3 cravados. Menos que isso não conseguimos nem com “reza brava”. Tudo bem, o número é 0s1 melhor que o aferido pela BMW. Estamos pensando em colocar a planilha num quadro aqui na redação.

Ah, você quer saber um pouco mais sobre acabamento, funcionalidade, espaço, como vai o pessoal no banco de trás e quanto de bagagem cabe no porta-malas, certo? Resolvemos isso rapidamente: o acabamento é BMW. Para bom entendedor, a sigla basta. A funcionalidade é essa mesmo que o carro sugere. É baixo para entrar e sair, puxar o banco de couro com ajustes elétricos — uma tecla na lateral do encosto facilita o trabalho — demora um pouco, é perigoso bater a cabeça no teto baixo para entrar na fileira de trás e a vida dos dois passageiros menos favorecidos é apenas razoá­vel. Não chega a causar fobia, mas não invente uma viagem de 700 km com quatro pessoas. O bagageiro de 370 litros serve bem a um casal, mas três pessoas precisarão se planejar.

Falar da sensação de dirigir merece um capítulo à parte. O 135i tem todos os ingredientes das melhores receitas BMW para unir esportividade e segurança: tração traseira (quem precisa de integral?), direção direta sem ser arisca e uma frente que vai aonde se quer sem desgrudar da traseira. Parece ensaiado. Se você precisar frear, não se preocupe. Ele para de 80 km/h a 0 em 23,2 m. Quer pilotar em um circuito e está preocupado com o fadig? Em dez frenagens com 200 kg de lastro, não houve nem sinal de perda da eficiência.

Falando em frear, no começo da reportagem esquecemos de contabilizar o tempo perdido para parar o carro e acelerar novamente. Isso sem falar no reabastecimento, já que o tanque de 53 litros não seria suficiente para suas oito horas de lazer. Tudo descontado, você terá tempo de fazer quase mil acelerações de 0 a 100 km/h em 5s3. Mas, se quiser, faça só uma por dia. A brincadeira dará sentido aos R$ 226 000 gastos. Afinal, nenhum carro o levará tão rápido por tão “pouco”.

 

 

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